Governo retira projeto dos 25% em 24 vezes

25/08/2007

ASSEMBLÉIA GERAL MANTIDA PARA QUARTA, ÀS 11 H, NA CHEFIA DE POLÍCIA

Depois da assembléia realizada na quinta-feira (23) pondo fim a greve iniciada na segunda (20/08), policiais civis voltaram a fazer passeata, desta vez, da sede da Polícia Civil até a ALERJ, quando duas novas alegorias foram acrescentadas aos protestos contra o reajuste de 1% ao mês, parcelado em 24 vezes, a partir de setembro: muletas e mordaças foram distribuídas pelo SINPOL aos manifestantes, que na Assembléia juntaram-se aos servidores da Educação e Saúde. Da ALERJ, nova caminhada pela rua da Assembléia e av.Rio Branco com término na Cinelândia. No carro de som foi reproduzido várias vezes um pronunciamento do então candidato Sérgio Cabral, em campanha para governador, afirmando: “Candidato que disser que a folha de pagamento do estado é alta, é mentira. O estado arrecada R$ 39 bilhões e gasta R$ 13 bilhões com a folha”. Jornalistas e dirigentes sindicais de outras categorias solicitaram ao Sindicato cópia do CD para divulgar em seus movimentos. No Palácio Tiradentes, os policiais e demais servidores atingidos pelos 25%, queriam que os deputados retirassem de pauta o projeto do Executivo a ser votado na próxima terça. Deram apoio aos servidores os deputados Paulo Ramos (PDT), Marcelo Feixo (PSOL) e Flávio Bolsonaro (PP).

No início da passeata unificada, na Rua da Assembléia, o presidente da ALERJ, deputado Jorge Picciani (PMDB), e o secretário de Governo, Wilson Carlos, passaram entre os manifestantes e receberam uma demorada vaia. A mordaça usada pelos policiais foi um protesto contra a decisão da Corregedoria da Polícia Civil de investigar os agentes que pediram dinheiro à população na terça (21), durante protesto em frente ao Palácio Guanabara, simbolizando os baixos salários que o estado paga aos policiais. O dinheiro arrecadado (R$ 500) foi doado à Fundação Viva Cazuza, no combate à AIDS. “Não pode haver punição, foi apenas um ato simbólico contra o arrocho salarial que sofremos por parte do Governo”, desabafa Bandeira, presidente do SINPOL. Quanto ao uso coletivo das muletas, foi a forma que o Sindicato encontrou para ironizar o reajuste de 25%, em dois anos: devagar chegamos lá!

Apesar do líder do governo Paulo Melo (PMDB), afirmar “que é impossível retirar o projeto da pauta”, o SINPOL teve informação do Palácio Guanabara que a mensagem do governador dos 25% para os servidores da Segurança, Saúde e Educação foi retirada nesta sexta-feira e será substituída por outra de 4%, de uma só vez, até o fim do ano. Esse novo reajuste viria cobrir as perdas com a inflação em 2007.

Para o companheiro Bandeira, presidente do SINPOL, a pressão dos policiais no Governo e na ALERJ, nos últimos protestos, foi determinante para o governador recuar e retirar o projeto dos 25% de pauta. Agora, só falta negociar a pauta específica dos policiais civis que até hoje não foi atendida – a principal delas, o reescalonamento salarial, que devolveria as perdas com a retirada da GEAT, em 2001. Está mantida a assembléia em frente à Chefia de Polícia, na quarta-feira (29), às 11h, para decidir mais 72h de paralisação caso as negociações não avancem.

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