Funcionalismo estadual faz passeata por 66% de reajuste com protesto no Palácio Guanabara

16/08/2008

Mais de dois mil servidores do estado saíram em passeata do Largo do Machado ao Palácio Guanabara no dia 13 de agosto, quarta-feira, em protesto contra os baixos salários pagos aos profissionais da Saúde, Educação e Segurança. No entroncamento da Rua das Laranjeiras com Rua Pinheiro Machado, uma viatura do 2º BPM Botafogo colocou-se atravessada na pista impedindo a passagem do caminhão de som. Por conseqüência a cidade parou com o trânsito totalmente congestionado. Cerca de quarenta minutos depois a passagem dos manifestantes e do caminhão foi liberada pelo Gabinete Civil do governo estadual. A manifestação fez parte da agenda do Movimento Unificado dos Servidores Públicos – MUSP – que reivindica 66% de correção salarial para o funcionalismo do estado.

O anúncio do reajuste de 8% um dia antes do protesto para as Polícias Civil, Militar, Corpo de Bombeiros, agentes penitenciários, e funcionários da Educação causaram estranheza entre os sindicalistas e trabalhadores presentes ao ato público. O presidente licenciado do SINPOL, Fernando Bandeira, disse que o reajuste oferecido pelo estado é uma "migalha", não cobrindo nem de longe as perdas com o não pagamento da Geat (Gratificação Especial de Atividade), retirada dos contracheques em 2001, porém mantida para delegados, PMs e bombeiros. "O pessoal ativo têm que fazer bico para sobreviver, enquanto os aposentados estão pendurados em empréstimos, principalmente para comprar remédios e cesta básica. Só com a Geat temos uma perda de 70% nos salários", conclui Bandeira.

O anúncio do reajuste para algumas categorias aconteceu uma semana após o secretário de Fazenda, Joaquim Levy, declarar que não havia previsão de aumento para o funcionalismo do estado, apesar dos números mostrarem o contrário. O governo, na semana passada, apresentou o balanço fiscal do primeiro semestre, registrando em seus cofres superávit de R$1,44 bilhão.

"Dinheiro o estado tem. O que falta é vergonha na cara dos governantes", disse a professora do ensino médio M.L.A, que veio da Baixada Fluminense com uma caravana de servidores para participar da passeata.