ALEXSSANDER MARCHON NÃO RESISTIU APÓS FICAR 3 MESES EM COMA

08/01/2009

Família culpa o estado pela morte do inspetor

 Depois de quase três meses internado, morreu dia 14 de dezembro o policial civil Alexssander Marchon Gomes (37) no Hospital Central de São Gonçalo. Ele estava sendo atendido no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, quando recebeu alta no dia 11/12 e foi levado para casa pela família. Marchon foi atingido por um tiro de fuzil na cabeça durante incursão da DCOD (Delegacia de Combate às Drogas) no Complexo do Alemão, dia 17 de setembro. Alexssander era associado do SINPOL desde 2003. Durante todo o tempo que esteve em coma o Sindicato se colocou à disposição da família.

Talita Gomes, mulher do policial, que sobrevivia com ajuda de aparelhos, denunciou o descaso dos médicos do HGV:

– Eles (médicos) deram alta para o meu marido mesmo constatando que Alexssander ainda estava com febre e pneumonia. Disseram que não podiam mais ficar com ele na UTI, pois sua manutenção na unidade era muito cara. Sugeriram colocá-lo na enfermaria coletiva sem os aparelhos de respiração. Decidimos então levá-lo para casa, tendo que alugar todo o equipamento para mantê-lo vivo. Após três dias vi que não tinha condições de pagar (gastou R$ 2 mil) toda a aparelhagem e precisei levá-lo para o Pronto-Socorro de São Gonçalo, onde já chegou com uma infecção generalizada.

A família culpou o estado pela morte, por ter se negado a pagar tratamento num hospital particular. No Hospital de São Gonçalo também fomos mal tratados – informa Talita – por uma médica que ao ver o estado de Marchon teria dito: "Levem essa porcaria para o lugar de onde veio", alegando que o pronto-socorro não tinha recursos para tratar lesão grave como a dele.

A mulher do inspetor, Talita Gomes, 27, disse ainda que vem encontrando dificuldades para receber a pensão e o seguro de vida do marido no valor de R$ 100 mil. "O estado não aceita apenas a certidão de nascimento dos meus dois filhos – um de um ano e nove meses e outro de cinco anos – como documento para receber o seguro. Exigiram a declaração de dois vizinhos dizendo que os meninos são filhos do casal. Um absurdo", contesta Talita.

– De que me adianta cem mil com o meu marido morto? Valeria-me muito esse dinheiro (ou parte dele) para dar um tratamento digno para o Alexssander que era um policial responsável, honesto, desabafa Talita, concluindo: "O que eu quero saber é como vou dizer aos meus filhos o que aconteceu com o pai deles. O menor chama pelo pai toda hora e o maiorzinho, que é asmático, precisa de cuidados. O dinheiro acabou e conto com a ajuda de parentes até o seguro e a pensão saírem".