POLICIAIS DECRETAM GREVE POR 48 H

10/07/2007

Vigilância Sanitária fiscaliza IML. Estado reconhece que o órgão está em situação difícil. Nova assembléia na quarta, às 9h, na Chefia.

Os policiais civis do Rio decidiram na segunda-feira paralisação por 48h. A assembléia contou com a participação de mais de 600 policiais que assinaram o livro de presença. Nesta quarta-feira, dia 11, haverá nova assembléia na porta da Chefia de Polícia Civil, às 9h, para decidir se o movimento grevista continua nos próximos dias. A categoria reivindica o reescalonamento salarial que proporcionaria um reajuste entre 50% e 70%, como forma de recuperar as perdas com a falta do pagamento da gratificação GEAT, em 2001, durante o governo Garotinho, e incorporada aos vencimentos dos delegados, PMs e Bombeiros.

Na reunião da última sexta-feira, dia 6, o secretário estadual de Planejamento, Sérgio Ruy, disse que “o caixa do estado está com fluxo negativo”, não podendo reajustar os salários dos policiais no momento. Sérgio Ruy falou que o governador haveria autorizado o estudo de tr~es propostas que foram rejeitadas pelo Sindicato e pelos policiais presentes à reunião. Entre elas a reposição da inflação dos últimos 12 meses, em torno de 3,5%. Por causa de uma proposta mais concreta por parte do estado, a greve foi deflagrada. Nas delegacias, somente os registros de prisão em flagrante estão sendo feitos. Cerca de 90% da Polícia Civil está com esse procedimento, em todo o estado.

Na segunda, técnicos da Vigilância Sanitária municipal fizeram uma visita e constataram "um quadro de horror" no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro. Eles sugeriram a interdição imediata do local. A chegada dos técnicos, com o apoio de policiais em greve, provocou pequeno tumulto no órgão.

Os dois fiscais da Vigilância encontraram macas com corpos em avançado estado de decomposição, geradores e geladeiras desligadas, além de uma grande quantidade de lixo orgânico espalhado pelos corredores.

A Secretaria estadual de Segurança Pública informou que tem conhecimento da situação do IML e que o órgão está funcionando emergencialmente nas atuais instalações. A SSP acrescentou que a mudança deverá acontecer até o fim do ano, quando o novo prédio do IML ficar pronto, na Av.Francisco Bicalho.

O companheiro Fernando Bandeira, presidente do SINPOL, afirmou que os policiais, que começaram uma greve de 48 horas na segunda-feira (9), poderão continuar no movimento por mais 48h, caso o governo do estado não apresente uma proposta melhor. “ Não queremos prejudicar a população durante os jogos Pan Americanos, mas do jeito que está não dá mais,” alerta Bandeira, acrescentando que 30% do efetivo nas DPs foram mantidos para cumprir a legislação de greve em vigor no País.