Policiais civis suspendem greve durante o Pan em respeito à população do Rio de Janeiro
12/07/2007
Nova assembléia com indicativo de greve já está marcada para o dia 30
Os policiais civis do Rio decidiram em assembléia realizada nesta quarta-feira (11) suspender a greve vitoriosa nas 48h de paralisação, onde foram feitos somente registros com prisão em flagrante, nas unidades policiais do estado. A adesão ao movimento foi de cerca de 90% na capital, região metropolitana e interior. Caravanas de colegas vieram do Sul e Norte fluminense engrossar fileiras com os companheiros do Rio. Segundo Bandeira, presidente do Sindicato, chegou-se a um consenso entre os policiais à frente do movimento que o melhor que teríamos que fazer era suspender a greve para não prejudicar a população carioca e os turistas nacionais e internacionais que estão chegando à cidade. “Não foi fácil manter esses dias de movimento, pois a pressão das autoridades foi muito grande em cima do SINPOL e das demais entidades de classe: AIPERJ, APPERJ, APCERJ e COPOL, disse Bandeira. Depois do protesto em frente ao IML, na segunda-feira, o chefe de polícia Gilberto Ribeiro disse aos representantes classistas que iria exercer com rigor sua condição de chefe de polícia, não admitindo excessos, indo mais além: “Vou bater doído... onde pegar, pegou!”, declarou o delegado Gilberto Ribeiro, acrescentando que não era nada pessoal contra quem quer que seja, mas não podia admitir “excessos como a invasão do IML”.

O governador Sérgio Cabral também manifestou sua opinião dizendo: “Não negocio com chantagistas... enquanto estiverem em greve não há negociação com o governo, ameaçando cortar o ponto dos policiais”. Depois, num tom mais ameno declarou: “A categoria é muito séria, muito consciente da sua importância para os serviços públicos”, acreditando no bom senso das lideranças, visando à tranqüilidade da sociedade durante o Pan.

Já o companheiro Francisco Chao, da comissão de negociação do SINPOL, foi taxativo: “Não somos oportunistas como disse o governador, mas neste momento, em que todas as atenções estão voltadas para o Pan, é evidente que vamos usar este momento para chamar a atenção para a segurança pública”.

O presidente do SINPOL também rebateu: “Chantagista é o governo que nos recebeu em março, quando foi entregue no palácio Laranjeiras o reescalonamento dos policiais. Cabral prometeu que em abril daria uma resposta, designando o secretário de planejamento, Sérgio Ruy, para negociar com a categoria. Sempre pedindo mais tempo, Sérgio Ruy foi empurrando com a barriga, dizendo no dia 6 último que, “o caixa do governo está com fluxo negativo”, não podendo reajustar os salários dos policiais civis este ano. Sequer, nesse tempo todo de 5 meses, apresentou oficialmente o impacto na folha de pagamentos do estado, desabafou o companheiro Bandeira.

Após os Jogos Pan Americanos, haverá nova assembléia dia 30, com indicativo de greve, caso o governo não apresente na reunião do próximo dia 16 de julho, na secretaria de Planejamento, o compromisso de implantar o reescalonamento salarial, mesmo que parcelado em 12 vezes para 2008.




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