Policiais civis fazem passeata por reajuste e condições de trabalho

29/05/2007

Cerca de 70 policiais civis e familiares de policiais assassinados, fizeram uma passeata pelas ruas do Centro até a Chefia de Polícia, nesta segunda-feira, dia 28, reivindicando melhores condições de trabalho, salário e segurança no trabalho. A caminhada organizada pelo SINPOL, teve a participação da ONG Rio Pela Paz. Batizada de “Povo e Polícia Juntos”, a passeata saiu da Rua de Santana e percorreu as ruas Marquês de Pombal e Riachuelo, passando pela Av.Henrique Valadares e terminando na rua da Relação, no prédio da Polícia Civil. Durante todo o trajeto, policiais com suas motocicletas interditaram o trânsito nos cruzamentos, abrindo caminho para os manifestantes. Um dos pontos altos do protesto, foi quando um pelotão de motociclistas da PM ligou a sirene das motos em homenagem aos colegas da Civil. A categoria quer a implantação do reescalonamento salarial que implicaria num reajuste entre 30% e 70%, de acordo com o cargo do policial.

Participaram também Zoraide Vidal, mãe da policial Ludmila, Orlando Gustavo, pai do policial André Gustavo, Maria Francilene, mãe do policial Thiago, todos vítimas de marginais, além de Cleide Ribeiro, mãe de Gabriela Prado, morta numa estação do metrô há 4 anos, e Maria do Céu, presidente da Associação Comercial e Industrial da Tijuca. Do início ao fim da manifestação, uma equipe da TV Globo acompanhou todo o percurso feito pelos agentes.

A passeata saiu pelas ruas do Centro até a Chefia de Polícia

Para o presidente do SINPOL, Fernando Bandeira, é preciso que haja maior interesse do governo pelas condições de trabalho e salarial em que os policiais operam. Com os baixos salários pagos pelo estado, o policial civil precisa complementar sua renda fazendo “bico”. Não tendo dedicação exclusiva o índice de resolução dos crimes é muito baixo, enfatiza Bandeira, lembrando que para ingressar na Polícia como inspetor ou oficial de cartório policial é preciso ter nível superior. Já o inspetor Francisco Chao, da comissão de negociação do Sindicato, lembrou que é importante que a população tenha consciência de que a violência e os baixos salários estão intimamente ligados.

A passeata saiu pelas ruas do Centro até a Chefia de Polícia

- A polícia é escrava do segundo emprego porque mais da metade do efetivo de 10.500 policiais ganham menos de R$ 1.400 p/mês – diz Chao.

As faixas de protesto dizem tudo

Números do Sindicato indicam que, somente este ano, 11 policiais civis foram executados por marginais nas ruas da cidade. Dez agentes morreram na folga ou no bico, trabalhando para particulares. São assassinados na tentativa de roubar seus veículos e, quando identificados como policial, sumariamente executados pela bandidagem. Apenas um, morreu em confronto com marginais no Complexo do Alemão.

Ao lado de Bandeira (com microfone), pais de policiais assassinados deram apoio à manifestação

Pelotão de motociclistas da PM tocam as sirenes em homenagem aos colegas da Civil

Policiais civis motociclistas interditaram o trânsito

Polícia Militar e Civil juntas na caminhada

Pais de policiais assassinados engrossam fileiras

A caminhada tomou conta da Rua Riachuelo, no Centro

O término da passeata foi no prédio da Polícia Civil, no Centro

Enfileirados, os policiais protestaram contra os baixos salários