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05/12/2017 - CRISE AFETA EM CHEIO AS INVESTIGAÇÕES

CRISE AFETA EM CHEIO AS INVESTIGA??ES

Sem materiais e com d?ficit de pessoal, menos de 20% dos crimes s?o solucionados no estado


Fonte: Maria Inez Magalh?es e Rafael Nascimento - O Dia

 

 Olha a estrutura daqui. Veja as condi??es de trabalho desses funcion?rios. ? imposs?vel ter resultado satisfat?rio (de investiga??es). As delegacias do Rio est?o abandonadas". Essa ? a revolta do empres?rio Andr? Farias, de 41 anos, que acompanhava a esposa durante um boletim de ocorr?ncia na 30? DP (Marechal Hermes) e esperava sentado em um banco rasgado e sem encosto. A indigna??o de Farias ? refor?ada pelo Sindicato dos Policiais Civis do Rio (SINPOL), que atesta que menos de 20% dos crimes no estado s?o solucionados.

 

Como O DIA mostrou ontem, pelo menos oito delegacias est?o muito prec?rias, em estado cr?tico. Al?m disso, todos os tr?s helic?pteros da corpora??o est?o parados. Ainda de acordo com o SinPol, cinco blindados est?o parados por falta de manuten??o. Quando a Pol?cia Civil precisa de uma aeronave tem que pedir emprestada ? PM. Por conta da falta de estrutura, j? tem delegado deixando de fazer opera??es. "Eu n?o vou colocar meus homens para enfrentar bandido, com armas pesad?ssimas, dentro de uma favela nessas condi??es. E se um blindado engui?a l? dentro (da comunidade)? O que vou fazer? Prefiro deixar a opera??o do que arriscar a vida dos agentes", conta um delegado que pediu para n?o ser identificado.

 

Essencial em uma investiga??o, as provas obtidas em exames feitos pela Pol?cia T?cnico-Cient?fica (PRPTC) da Pol?cia Civil em locais de crimes, em armas e v?timas tamb?m est?o sendo prejudicadas pela crise no Rio. E a situa??o pode piorar ainda mais com o fechamento de alguns postos no interior do estado. Segundo o SINPOL, h? 200 legistas e 400 peritos criminais em todo estado enquanto o ideal seriam 3.300. "E daqui a dois anos 70% deles j? est?o com tempo de se aposentar", revela um perito que pediu anonimato.

 

H? informa??es de que haver? uma fus?o entre eles por regi?o como aconteceu entre Itabora? e S?o Gon?alo. O PRPTC de Itabora? j? fechou. Quem precisa fazer exame de corpo de delito tem que ir at? o posto de S?o Gon?alo distante da cidade 26 quil?metros. ? para l? tamb?m que v?o os corpos que deveriam ser necropsiados na cidade. "Em um futuro pr?ximo outros postos ter?o que ser fechados e a solu??o ? que eles sejam fundidos como aconteceu com Itabora? e S?o Gon?alo", denunciou um perito que pediu para n?o ser identificado. Essa fus?o pode chegar ? Regi?o dos Lagos. Ele diz que h? rumores de que o posto de Cabo Frio assuma os servi?os de Araruama. Se isso acontecer, quem precisar dos servi?os ter? que percorrer 41 km entre as duas cidades.

 

A falta de pessoal e de insumos, como formol, comprometem os resultados dos laudos e as investiga??es. Peritos contam que at? luvas e papel s?o custeados pelos funcion?rios mesmo sem receber o 13? de 2016 e com as promo??es e sal?rios atrasados. "A conclus?o das per?cias fica prejudicada por falta dos resultados do laborat?rios. E acabou contrato de terceirizados, n?o tem vigilantes, fornecimento de materiais para postos. O IML n?o realiza exames de laborat?rio por falta de material, n?o tem coleta de lixo infectante, n?o se paga luz e nem ?gua e os peritos pagam conserto e manuten??o das viaturas. A situa??o ? desesperadora", disse um perito. Para evitar que os postos de pol?cia t?cnica do interior parem de vez algumas prefeituras t?m custeado os servi?os.

 

Instituto M?dico Legal agoniza

O IML do Centro do Rio, que foi inaugurado em 2009 com investimento de R$ 32,2 milh?es, agoniza com a falta de recursos. Com quatro andares e 150 salas, o local chegou a contar com espa?o especial para reconhecimento de corpos pelas fam?lias e um centro ecum?nico, mas hoje tudo parece abandonado. O ar-condicionado central n?o funciona e a sala de cad?veres n?o tem exaustor.

 

"Os sal?rios s?o baixos e muitos peritos trabalham em outros empregos e, l?gico, n?o se dedicam as 40 horas semanas", diz Levi Inim? de Miranda, consultor e perito legista aposentado, que acrescenta: "As per?cias n?o est?o sendo de boa qualidade. N?o h? meios. E sem elas n?o h? provas, e a Justi?a n?o tem como julgar. Muitos criminosos podem estar soltos por falta de investiga??o e muitos inocentes presos", conclui.

 

"N?o temos investiga??es e per?cias. Tudo isso por conta da falta de investimento", afirma Fernando Bandeira, do SINPOL. A Pol?cia Civil admite os problemas e afirma que "trabalha com o que lhe ? disponibilizado e que busca oferecer o melhor ao cidad?o do Rio". A Secretaria de Seguran?a n?o se pronunciou.

 

Pouco mais de um ter?o do quadro est? dispon?vel

 

Atualmente, a Pol?cia Civil tem 9 mil agentes, quando o quadro prev? cerca de 23 mil. O Grupo de Atua??o Especializada em Seguran?a P?blica (Gaesp) do Minist?rio P?blico do estado investiga as defici?ncias da Pol?cia Civil, como mostrou s?rie de reportagens do DIA, publicada em julho. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ser? proposto. Caso n?o seja cumprido, o Gaesp vai ajuizar A??es Civis P?blicas contra a Pol?cia Civil e o Estado.

A falta de insumos ? comum em todas as unidades. Uma das delegacias especializadas mais famosas do Rio, a Delegacia Antissequestro (DAS) tem funcionado com ajuda de empres?rios e funcion?rios, que compram de papel para imprimir documentos at? ?gua para beber. "As delegacias est?o se deteriorando, pois a verba est? ficando menor a cada ano. N?o temos estrutura b?sica. Para ficar aberta, os comerciantes e moradores do bairro se mobilizam para nos ajudar", lembra Daisy Nascimento, da DAS.