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19/04/2018 - CONCURSO POLÍCIA CIVIL-RJ: SEM AGENTES, APENAS 8% DOS CRIMES SÃO INVESTIGADOS

CONCURSO POLÍCIA CIVIL-RJ: SEM AGENTES, APENAS 8% DOS CRIMES SÃO INVESTIGADOS

Sem 13 mil agentes, a Polícia Civil do Rio de Janeiro tem o quantitativo de crimes cada vez menos apurados.

Sem concursos Polícia Civil-RJ e com a carência de agentes, materiais e viaturas, os crimes no Rio de Janeiro são apurados cada vez em menor quantidade. Essa é a visão do Sindicato dos Policiais Civis do Estado. Em entrevista exclusiva à FOLHA DIRIGIDA, o presidente do Sinpol-RJ, Fernando Bandeira, confirmou que sem servidores apenas 8% das investigações são feitas.

A falta desse serviço basilar da Polícia Civil impacta na solução dos crimes do estado, que crescem diariamente. "Não tendo os policiais nas delegacias, as investigações, como roubo e homicídio, não são apuradas totalmente. As viaturas também estão sem combustível, sem manutenção, enguiçadas. As dificuldades hoje não são apenas no efetivo, como nas condições de trabalho", relata Bandeira.


Fernando Bandeira: "sem policiais, crimes
não são solucionados" (Foto: Divulgação)

De acordo com a Lei Estadual 699/1983, a Polícia Civil do Rio deveria contar com 23 mil policiais. Contudo, apenas 9.413 integram a corporação, atualmente. Ao todo, são 3.181 oficiais de cartório e 2.555 investigadores a menos do que a legislação prevê.

A maior defasagem é a do cargo de inspetor: faltam 6.717 agentes.

Para suprir essa carência, o estabelecimento de um cronograma de concursos públicos é emergencial. "Esse efetivo pequeno dificulta muito o papel primordial da Polícia Civil que é a investigação. Sem isso, não tem como o Ministério Público pedir ao juiz que condene o criminoso. Assim, muitos crimes acontecem e não tem condenação. Então, é necessário que haja mais concursos para Polícia Civil", exclama o presidente do Sinpol-RJ, informando que um policial trabalha por três.

Hoje, a corporação ainda aguarda a convocação dos 248 aprovados do concurso de oficial de cartório e dos 96 papiloscopistas da seleção de 2015. Outros 220 oficiais de cartório aguardam chamada para o curso de formação na Academia de Polícia (Acadepol).

Carência de agentes é problema recorrente na PC-RJ

Segundo dados transmitidos pelo representante sindical, o número de policiais civis do Rio de Janeiro é menor a cada ano. O que agrava ainda mais a situação é que, pelo menos, 20 a 30% do efetivo atual já têm idade para se aposentar. Somente em 2018, já foram registradas 159 aposentadorias.

Com o objetivo de completar o efetivo da Polícia Civil do Rio, o Sinpol-RJ trabalha para que os concursados sejam convocados e novos concursos sejam realizados. Agora, os sindicalistas aguardam uma reunião com o secretário de Segurança e com o chefe de Polícia Civil para que possam levar as reivindicações em prol das melhorias nas condições de trabalho.

Intervenção pode ser solução para a crise na Polícia Civil-RJ

Para que chamada de aprovados e novos concursos Polícia Civil-RJ aconteçam é preciso de orçamento para as folhas de pagamento dos novos servidores. No âmbito do estado, o governo alega que, em virtude da calamidade financeira, não há disponibilidade de recursos nem para aproveitamento dos concursados e, muito menos, para a realização de novas seleções.

A intervenção federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro, no entanto, pode ser uma solução. "Espero que o governo federal, com a intervenção feita, possa trazer recursos para que a chefia de Polícia Civil tenha mais condições financeiras para pagar os serviços terceirizados, melhorar as viaturas, nomear os concursados e realizar novos concursos", comenta Fernando Bandeira.


Viaturas da Polícia Civil-RJ estão sem manutenção
(Foto:Divulgação)

A boa notícia é que o aumento do efetivo em órgãos de Segurança será uma das prioridades na gestão do interventor federal, general Braga Netto. A informação foi transmitida pelo chefe de Gabinete da Intervenção, general Mauro Sinott, em entrevista coletiva realizada no dia 27 de fevereiro.

"É indispensável que tenham mais recursos para que o governo do Estado, o secretário de Segurança e o chefe de Polícia Civil possam melhorar também as condições de trabalho", diz o presidente do Sinpol-RJ.

Novos concursos Polícia Civil-RJ são necessários, diz sindicato

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro, Fernando Bandeira, defende a realização de concursos recorrentes, "porque traz os profissionais mais preparados, melhores selecionados".

Para ele, os cargos com maior demanda são investigador, inspetor e oficial de cartório. "A carência de delegados também é significativa. O efetivo deveria ser de mil policiais nessa função e só temos 550", expressa.

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Ele deixa a seguinte mensagem aos que desejam ingressar na corporação: "se prepararem, procurarem um bom curso preparatório, pois tendo policiais corretos, sérios, vai ajudar muito a população", conclui Bandeira.

Entre os concursos pautados está o de investigador, para graduados em qualquer área (PL que muda requisito foi aprovado na Alerj, sem que o governo recorresse) e com ganhos de R$5.311,90.

Há seleções previstas ainda para perito legista, para graduados em áreas específicas (ainda não reveladas) e delegado, para graduados em Direito. Os ganhos são de R$9.376,45 e R$18.157,73, respectivamente. Nos valores já está incluído o auxílio-alimentação de R$264.


Fonte: Bruna Somma - Folha Dirigida