A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) retoma os trabalhos nesta terça-feira (03) sob um clima de forte apreensão. Mais do que a missão de estabelecer as regras para a eleição indireta que definirá o próximo governador do estado, após a confirmação da renúncia de Cláudio Castro para disputar o Senado, o que prevalece nos corredores da Casa é o temor de novas operações da Polícia Federal envolvendo parlamentares e personagens centrais da política fluminense.
De aliados a adversários do Palácio Guanabara, a percepção é semelhante: a qualquer momento, a PF pode voltar à Alerj. A expectativa por novos desdobramentos das investigações tem pautado conversas reservadas, gerado cautela entre deputados e reforçado a sensação de instabilidade política no início do ano legislativo.
O fantasma das investigações federais
O receio tem origem direta na situação de Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Alerj. Preso em dezembro, ele teve o celular apreendido pela Polícia Federal, e há grande expectativa sobre o conteúdo do aparelho. Parlamentares avaliam que eventuais revelações podem desencadear novas fases da investigação, com impacto direto sobre a dinâmica interna da Casa.
A apreensão se estende aos desdobramentos envolvendo Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete de Bacellar e considerado um dos principais articuladores políticos do estado. Alvo de buscas e apreensões, ele também teve equipamentos recolhidos, cujo conteúdo ainda não foi totalmente analisado pelos investigadores.
Operação Zargun e efeito cascata
Bacellar foi detido em 3 de dezembro, suspeito de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro. A ação levou à prisão do então deputado estadual TH Joias, acusado de intermediar negociações envolvendo drogas, armas e equipamentos para o Comando Vermelho.
O avanço das investigações ampliou o clima de tensão quando alcançou o Judiciário, com a prisão do desembargador Macário Júdice Neto, do TRF-2. Desde então, deputados avaliam que o material apreendido pode gerar um efeito cascata, com novas frentes de investigação e possíveis operações atingindo novamente o Parlamento fluminense.
Disputa política em meio à insegurança
Mesmo sob esse ambiente de incerteza, a Alerj precisa avançar na regulamentação de uma eleição indireta inédita. Com a renúncia de Cláudio Castro prevista para abril, os 70 deputados estaduais terão 30 dias para escolher o governador que comandará o estado entre maio e dezembro. A Comissão de Constituição e Justiça deve começar a se debruçar sobre o tema na próxima semana.
A tarefa ocorre em paralelo a intensas articulações partidárias, mas o temor de novas ações da Polícia Federal tem influenciado o ritmo e o tom das negociações. Parlamentares relatam cautela redobrada e evitam exposições públicas em meio à possibilidade de novos fatos surgirem a qualquer momento.
Divisão no PL e bastidores da sucessão
No Partido Liberal, as discussões sobre o mandato-tampão seguem abertas. Uma ala defende o nome de Nicola Miccione, atual chefe da Casa Civil, enquanto outra aposta em Douglas Ruas, secretário de Cidades, como estratégia para enfrentar o prefeito do Rio, Eduardo Paes, na eleição de outubro.
Uma reunião ainda neste mês entre o senador Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro e o deputado federal Altineu Côrtes deve definir os rumos do grupo governista. O encontro também deve tratar do futuro do secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, citado nos bastidores como possível nome para a chapa majoritária.
Enquanto essas definições não ocorrem, a retomada dos trabalhos na Alerj acontece sob um clima de vigilância e expectativa, com o temor de novas operações da Polícia Federal pairando como o principal fator de pressão sobre o Legislativo fluminense neste início de semestre.
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